SANDRINHO GESSÉ e GRUPO SAMBASTRAL, ESTADO MAIOR DA RESTINGA é do tamanho da CHINA 2009/2010

grupo Sambastral, show de abertura do grupo fundo de Quintal na imperadores do Samba POA/RS

grupo Sambastral, show de abertura do grupo fundo de Quintal na imperadores do Samba POA/RS

sandrinho gessé

sandrinho gessé

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

SANDRINHO GESSÉ E PRETO JÓIA NA PRAIANA

Análise da Mostra


Acredito que temos na Mostra de Sambas-Enredo um dos espetáculos mais organizados do nosso carnaval. Uma demonstração que a nossa Festa Popular está no caminho certo, na busca daquilo que podemos chamar de visão diferenciada do fazer carnaval em Porto Alegre.

Fico feliz em perceber o empenho das escolas para fazer da Mostra de Samba-Enredo uma demonstração de dedicação e superação, em prol da grandeza do espetáculo. Vou me atrever nessa coluna a comentar alguns pontos positivos e negativos que observei quanto jornalista e repórter que faz a cobertura do carnaval de Porto Alegre para os veículos do Grupo RBS.

Claro, sempre levando em conta que é apenas uma opinião e não uma verdade absoluta, com certeza. Há de existir divergências das opiniões dos internautas que acompanham o Samblog.

Começo pela Tribo Guainazes, que infelizmente, demonstrou descomprometi mento com o espetáculo. Uma apresentação pobre, com falta de componentes, começando pelo interprete. Fantasias antigas e, sem uniformidade, diferentemente da Tribo Comanches, que apesar de pequena, demonstrou organização, mas não cuidou dos detalhes, pois tênis não combina com Índios. Parabéns para o interprete Dodô, como sempre, demonstrou que é um dos melhores interpretes do nosso carnaval.

Com relação às escolas, num contexto geral, todas obtiveram méritos. As escolas dentro das possibilidades apresentaram shows, que evidenciaram dois níveis de estrutura nas apresentações.

Unidos do Capão demonstrou ser uma escola organizada, bem vestida, com um samba envolvente.

Imperadores do samba fez uma boa apresentação, destaque para sintonia da Harmonia com a Bateria do Mestre Brinco e sua madrinha Raquel. Vinicius Machado foi competente, apresentou bem o samba. Acredito que faltou na escola uma melhor preparação para o evento. A escola do povo com o tema do clube do povo, não buscou no apelo popular o diferencial. Faltou a garra de escola multi-campeã. Percebi no show, certa desorganização na apresentação dos destaques.

Acadêmicos da Orgia demonstrou que ainda está muito distante daquilo que é necessário para conquistar um título no grupo especial. Apesar de organizada, a escola veio muito simples. Não fez um espetáculo digno de grupo especial. Bom samba. Destaque para a bateria do Mestre Jouber.

Embaixadores do Ritimo me preocupa, pois fez uma apresentação complicada. O visual da escola não estava de acordo com o espetáculo. Grupo show com poucos integrantes. Ficou evidente um desacerto com relação á harmonia, apesar da boa afinação do puxador do Farelo. Bateria muito boa, e não poderia ser diferente, pois estava constituída de mestres e batuqueiros de outras escolas. Faltou identificação.

Estado Maior da Restinga fez carnaval de chão. A melhor da primeira noite. Destaque para a bateria do mestre Guto, que demonstrou a força da comunidade. Belo desempenho do Puxador Renan. O casal de mestre-sala e porta-bandeira Marcio e Kizzy estão no caminho certo. Eu senti falta no repertório da apresentação, os memoráveis sambas da tricolor da Zona Sul.

Acadêmicos de Niterói fez uma boa apresentação, destaque para o mestre Boneco e seus ritimistas, um espetáculo de bateria.

Protegidos da Princesa Isabel mostrou um espetáculo aquém do esperado, fantasias simples, grupo show pequeno. Destaque para Lu Astral, que mesmo cantando um samba que, na minha opinião, não é bom, pois peca em letra. Diferentemente dos anos anteriores, que as composições de Tom Astral sempre estiveram entre as melhores do carnaval de Porto Alegre.

Na noite de Sábado, Unidos de Vila Isabel abriu as apresentações da mostra de samba enredo. Uma escola competente fez um espetáculo técnico, bem ensaiado. Arizinho e harmonia, mestre Patê e bateria deram conta do recado fazendo um bom trabalho. Destaque para a organização na apresentação do grupo show.

Acadêmicos de Gravataí fez um show muito bonito, competente, com organização. Destaque para a estandarte Cristiane Pereira que apresentou o estandarte da escola com maestria.

Academia de Samba Praiana me surpreendeu, fez um show alegre, descontraído. Destaque para Sandrinho Gesse que junto com Preto Jóia, comandaram um belo espetáculo. Só lamento o mal trato com a Bandeira da escola junto a Bateria do Mestre Dada, mas acredito que foi apenas um equivoco, nada proposital.

União da Vila do IAPI mais uma vez proporcionou um espetáculo de alegria, garra e organização. A coordenação sobe orientar e conduzir muito bem ás apresentações dos destaques, fazendo do show da Vila um dos mais lindos da noite. Destaque para Chiquinho e bateria. Observei problemas com relação á harmonia, mas acredito que foi conseqüência de problemas técnicos. Kaubi se apresentou muito bem.

Bambas da Orgia apresentou um show brilhante em termos de fantasia. Grupo show bem vestido, com uniformidade. Destaque para Marcelinho e Michelle casal de mestre-sala e porta-bandeira. Leandro da Águia conduziu bem o samba para o carnaval de 2009, mas o samba não teve a mesma força que teve nas eliminatórias do festival. A homenagem ao Max foi o ponto emocional da apresentação, que estava muito técnica e contida.

Imperatriz Dona Leopoldina entrou com garra de escola de comunidade. Alexandre Belo apresentou um ótimo samba, que contagiou e, encantou o público. Destaque para harmonia geral da escola, integrantes cantando o samba na ponta da lingua. Bateria do mestre Estevam mais uma vez se mostra competentíssima.

Império da Zona Norte arrancou com visíveis problemas com o som. Sandro Ferraz mais uma vez mostrou toda a versatilidade para conduzir o samba que não demonstrou a mesma força dos ensaios, com a escola apenas cantando o refrão, em harmonia geral ficou devendo. Bateria bem vestida, mas ainda com problemas, aparentemente falta de ensaio. Problema que ao longo do período mestre Marcio contorna tranquilamente. A apresentação do Grupo show foi muito boa, destaque para as fantasias bem acabadas. Apesar do deslize e da queda, Débora e Adilson contagiaram. Isabel e Alexandre bem vestidos fizeram ótima apresentação.

Num todo a Mostra de Samba de Enredo do Carnaval de Porto Alegre estabeleceu um marco no que se refere a essa nova forma de fazer carnaval. Hoje a competição esta muito mais acirrada. As escolas têm que se preparar com antecedência, procurando o melhor nas suas potencialidades, pois cada detalhe tem um valor enorme no desenvolvimento de um todo. Fazendo essas observações, eu procuro apontar situações que podem ser resolvidas com tranqüilidade, pois é assim que o carnaval de Porto Alegre vem crescendo, acertando, consertando os equívocos, e melhorando cada vez mais o que esta no caminho certo. Desejo um bom carnaval a todos, e que façam de suas escolas as melhores.

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grande interprete do samba

grande interprete do samba

Jamelão

Linha do tempo
1913-1952: Do nascimento até os primeiros shows no exterior1913 – Nasce no dia 12 de maio no bairro de São Cristovão.1928 – Entra na bateria da Mangueira como ritmista.Década de 1930 – Começa a cantar em gafieiras da Zona Norte carioca.1945 – Ganha o primeiro prêmio no programa de rádio Calouros em desfile de Ary Barroso com a interpretação de “Ai, que saudades da Amélia” (Ataulfo Alves e Mário Lago).1949 – Registra suas primeiras gravações em 78 rotações, o calango “A jibóia comeu” (Antenógenes Silva e J. Correia da Silva) e o samba “Pensando nela” (Antenógenes Silva e Irani de Oliveira). É oficializado como o intérprete de sambas-enredo da Mangueira.1951 – Participou do histórico duelo musical entre as orquestras de Severino Araújo (Orquestra Tabajara) e Tommy Dorsey no estúdio da Rádio Tupi. A big band brasileira venceu a batalha e Jamelão era seu crooner.1952 – Novamente como crooner da Orquestra Tabajara viajou para França para cantar em uma festa promovida por Assis Chateaubriand e pelo estilista francês Jacques Fath, no castelo de Coberville, nos arredores de Paris. A festa marcou a apresentação do algodão brasileiro para a alta-costura européia.
capa do disco "O samba é bom assim"
1956-1987: Os primeiros sucessos e Lupicínio Rodrigues1956 – Grava seu primeiro grande sucesso, “Folha morta” (Ary Barroso), e ainda ganha destaque pelo samba “Exaltação à Mangueira” (Enéias Brito e Aluísio Augusto da Costa). No mesmo ano grava pela primeira vez uma composição própria, “Cansado de sofrer”.1958 – Grava seu primeiro LP, Samba em noite de gala, pela gravadora Continental.1959 – Pela primeira vez grava uma composição do gaúcho Lupicínio Rodrigues (“Ela disse-me assim”) e o resultado é mais um sucesso e uma associação direta e eterna entre compositor e intérprete.1960 – Revela o sambista baiano Batatinha ao gravar a maliciosa “Jajá da Gamboa”.1968 – Entra para a ala de compositores da Mangueira.1972 – Depois de anos gravado espaçadamente composições de Lupicínio Rodrigues, Jamelão dedicada um LP inteiro ao seu cancioneiro, Jamelão interpreta Lupicínio Rodrigues (Continental), acompanhado da Orquestra Tabajara. 1987 – Volta a gravar um disco inteiro com músicas de Lupcínio Rodrigues, Recantando mágoas - Lupi, a dor e eu (Continental).
capa do disco "Jamelão canta para enamoradas", de 1977
1990 até os dias atuais: Mais prêmios, samba e a Mangueira para sempre1990 – Antes do Carnaval anuncia o fim de sua carreira como intérprete de sambas enredo e durante seu último desfile passa mal com problemas de pressão e febre alta, mas consegue terminar o desfile. Mas sua paixão pela Mangueira não tem limites e no ano seguinte volta a levar sua escola de samba do coração.1994 - Pela primeira vez na história da Mangueira, Jamelão dividiu a interpretação de um samba-enredo, ao gravar com Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil e Maria Bethânia a música de sua Escola no disco com os sambas das escolas do Grupo Especial daquele carnaval. Motivo: o samba “Atrás da Verde-e-Rosa só não vai quem já morreu” era uma homenagem aos doces bárbaros baianos e a idéia de reuni-los foi do vice-presidente da Mangueira na época, o percussionista e compositor Ivo Meirelles (Funk’n’Lata).1997 – É lançada pela gravadora Continental uma coletânea com três CDs que cobrem o que melhor Jamelão fez em seus muitos anos de casa. O título, Jamelão, a voz do samba.1998 – Recebe seu quinto estandarte de ouro como melhor intérprete de samba enredo no Carnaval carioca e participa do CD Chico Buarque da Mangueira. O compositor Chico Buarque foi tema do samba-enredo que levou a Mangueira ao seu 17º título.1999 – Foi eleito como o intérprete do século do carnaval carioca por mais de 80 jurados do Rio e São Paulo. 2000 – É lançado o CD Volta à gafieira (Atração) reunindo gravações da extinta gravadora Continental reunindo no mesmo salão Ângela Maria, Noite Ilustrada, Isaura Garcia, Orquestra Tabajara, Leonel e seu Conjunto, Moreira da Silva e o tenor do samba, Jamelão.2001 – É eleito presidente de honra da Mangueira (cargo máximo da escola). No mesmo ano recebe das mãos do Presidente Fernando Henrique Cardoso a Medalha da Ordem do Mérito Cultural.2003 – Entre as inúmeras festas que comemoraram seus 90 anos, Jamelão foi homenageado no Prêmio Rival BR de Música Brasileira com um show que reuniu nomes como Nana Caymmi, Elza Soares, Zeca Pagodinho, Zélia Duncan, Luiz Melodia, e o grupo vocal As Gatas (mas o homenageado não compareceu a festa por problemas de saúde). No mesmo ano grava seu 24º álbum (entre LPs e CDs), Cada vez melhor (Obi Music), numa carreira discográfica que conta ainda com cerca de 55 discos em 78 rotações.
Jamelão em entrevista para o Cultura no Intervalo, fevereiro de 2006